Sofri um estupro romântico.
A confiança não passa
de uns bilhetinhos com recados.
A fé não passa
de algumas imagens celestiais na parede.
A paixão não passa...
Opa! Espere um momento.
Essa já não existe mais,
nem em toques, em olhares
e em mais nada.
O amor?
Esse sim já passou...
E dele sobrou apenas os filhos.
Sofro de um estupro romântico.
Esperava mais de mim e de ti.
Assopramos demais o fogo da paixão
e o apagamos sem reascendê-lo.
Sofro de um estupro romântico.
Esperava mais da confiança,
da fé e da paixão.
Esperava mais de nossos corpos.
Esperava mias de nossos gozos.
Esperava mais de seus mil vocês
e do mesmo eu de sempre.
Sofro de um estupro romântico
e não tenho como declarar queixa
porque ainda não é crime amar demais.
Sofro de um estupro romântico!
Quero a minha virgindade de volta.
Quero voltar a desconhecer o gozo do amor.
Quero tudo como era antes de ser um adulto.
Sofro de um estupro romântico.
Quero ser um peralta novamente.
Criança sem medo, prazer e malícia.
Sofro de um estupro romântico.
Nunca mais serei o mesmo.
Que pena, amor, serei igual aos outros.
domingo, 26 de outubro de 2008
sábado, 25 de outubro de 2008
TERRA AVISTA
Um pequeno passarinho
pousou em minha janela.
Por que esta terra tinha de ser descoberta?
Em minha janela, apoiado,
num baforejo não vejo a mata,
o mar e as luzes reluzentes da cidade
que apenas me serve de dormitório.
Antes fosse como há 500 anos,
quando nossos ancestrais
comiam da terra e do mar.
Antes fosse como há 500 anos,
quando tudo era Greco-índico
e a vida não passava de uma leve ventania
nas águas, nas florestas, nas nuvens e nas estações...
pousou em minha janela.
Por que esta terra tinha de ser descoberta?
Em minha janela, apoiado,
num baforejo não vejo a mata,
o mar e as luzes reluzentes da cidade
que apenas me serve de dormitório.
Antes fosse como há 500 anos,
quando nossos ancestrais
comiam da terra e do mar.
Antes fosse como há 500 anos,
quando tudo era Greco-índico
e a vida não passava de uma leve ventania
nas águas, nas florestas, nas nuvens e nas estações...
sexta-feira, 10 de outubro de 2008
Bolor...
No momento, estou com o livro, "Bolor" em mãos. Faço leituras pausadas desse incrível livro. Gostei muito das características da narrativa. É uma rapsódia. Memórias colocadas em folhas de papel como se fosse um diário. Muito interessante!
O tempo corre de maneira desfragmentada. Em um momento do livro está cronológico, em um outro, já não está mais e neste ponto você percebe que se trata de um romance com o foco narrativo em um tempo psicológico. Demais!
Recomento a leitura. Não irão se arrepender.
O livro causa algumas reflexões sobre o amor, a paixão, o quotidiano e outros aspectos que nos rodeiam na vida. Provoca questionamentos, mas nada que faça uma pessoa resolvida mudar de opinião.
Leiam! É muito bom!
O tempo corre de maneira desfragmentada. Em um momento do livro está cronológico, em um outro, já não está mais e neste ponto você percebe que se trata de um romance com o foco narrativo em um tempo psicológico. Demais!
Recomento a leitura. Não irão se arrepender.
O livro causa algumas reflexões sobre o amor, a paixão, o quotidiano e outros aspectos que nos rodeiam na vida. Provoca questionamentos, mas nada que faça uma pessoa resolvida mudar de opinião.
Leiam! É muito bom!
terça-feira, 7 de outubro de 2008
um pequeno bate-papo filosófico...
Algumas idéias pertubam-me nesse momento.
Estou lendo, Metafísica do Amor e Metafísica da Morte, do filósofo alemão, Arthur Schopenhauer. Célebre! Excelente livro.
Um filósofo de vida intensa, melancólica, mas que infelizmente não seguiu a sua filosofia.
Ultimamente, essa leitura tem me levado à algum tipo de tristeza, angústia desproporcional à condição de vida que tenho.
Não tenho motivos para tristeza, mas são tantos os pensamentos que me assombram, que tenho vergonha de tê-los e dizê-los a alguém.
Queria poder arrancar-lhes de meu encéfalo e prendê-los em um baú e jogá-los no fundo do mar. São pensamentos destrutivos, monstruosos, de péssimo gosto.
Ao lado de todos esses pensamentos, caminham minhas dúvidas diárias a respeito de tudo: da vida, do amor...
Atualmente, algumas sombras, fantasmas e preocupações me assolam com questões que quero ouvir a resposta, mas, tem que ser a resposta que quero ouvir e não a que tem que ser dita.
Enquanto essa tormenta de razões e emoções não cessa, fico, a cada passo, mais atormentado e, também, aliviado por algumas coisas que sei e que são somente minhas.
Enquanto essa tormenta não passa, continuarei a amar você, meu Amor.
Só peço que não deixe a tormenta levar nossos barcos para longe da costa, para perderem-se, desbravando horizontes que, sabemos, nunca nos levarão à lugar nenhum.
Sou e sempre serei seu.
Estou lendo, Metafísica do Amor e Metafísica da Morte, do filósofo alemão, Arthur Schopenhauer. Célebre! Excelente livro.
Um filósofo de vida intensa, melancólica, mas que infelizmente não seguiu a sua filosofia.
Ultimamente, essa leitura tem me levado à algum tipo de tristeza, angústia desproporcional à condição de vida que tenho.
Não tenho motivos para tristeza, mas são tantos os pensamentos que me assombram, que tenho vergonha de tê-los e dizê-los a alguém.
Queria poder arrancar-lhes de meu encéfalo e prendê-los em um baú e jogá-los no fundo do mar. São pensamentos destrutivos, monstruosos, de péssimo gosto.
Ao lado de todos esses pensamentos, caminham minhas dúvidas diárias a respeito de tudo: da vida, do amor...
Atualmente, algumas sombras, fantasmas e preocupações me assolam com questões que quero ouvir a resposta, mas, tem que ser a resposta que quero ouvir e não a que tem que ser dita.
Enquanto essa tormenta de razões e emoções não cessa, fico, a cada passo, mais atormentado e, também, aliviado por algumas coisas que sei e que são somente minhas.
Enquanto essa tormenta não passa, continuarei a amar você, meu Amor.
Só peço que não deixe a tormenta levar nossos barcos para longe da costa, para perderem-se, desbravando horizontes que, sabemos, nunca nos levarão à lugar nenhum.
Sou e sempre serei seu.
segunda-feira, 8 de setembro de 2008
UM NATAL DIFERENTE
Meio dia de um domingo tão quente quanto um asfalto no deserto. Em meus sonhos, os calangos não conseguem atravessar a linha amarela que corta o asfalto. Os raios de sol espancam-me. É o dia me recebendo com bofetadas. Meu arcabouço dói e não suporta mais a posição fetal em que me encontro. Logo, meu estômago resolve tomar a frente de tudo e me tira de um estado de torpor.
Com passos leves, caminho lentamente até a cozinha. Abro a geladeira e não encontro nada para beliscar. Meu estômago faz contato comigo. Diz o que quer comer, mas, infelizmente, não posso atendê-lo. Então, viro-me para a despensa e nada encontro também. Ainda com os passos lentos, porém, agora tortos, sigo para a sala, pego o telefone e peço uma marmita “Demora mais ou menos uns trinta minutos para chegar, senhor”. A voz do outro lado nada informa e me aborrece. Aceito os termos propostos e espero por meu almoço. “Urrrghhhh!”, calma, meu amigo estômago, já, já, o almoço chega.
Sento em meu sofá, pulo de canal em canal, sem achar nada que agrade meus olhos. Minutos depois, resolvo me deteriorar. Mas, espere um minuto: como pode, em uma televisão com mais de cem canais, não existir um que me agrade? Apenas ouvi o silêncio dos meus pensamentos, que me empurravam para um abismo desconhecido por tantos que já tentaram e aqui não estão mais, para contar nenhum detalhe...
Estou no meu quarto, pego os saquinhos mágicos que escondo em um lugar sagrado – literalmente sagrado: debaixo de Nossa Senhora de Aparecida, que ganhei quando era criança para me proteger de todo mal (e ela me protege, esconde o pó mágico que me distancia dessa sociedade medíocre e condenada) – para ninguém me repreender ou dar um prejuízo de alguns míseros reais (ganhados com muito suor!). Chego à cozinha e na mesa de jantar faço o meu banquete. Monto um tapete branco, lindo, que se mistura às demais cores dos guardanapos em cima da mesa. O pó mágico, enfileirado, diminui um a um da mesa, como se fosse a última vez que faria aquilo na vida. A mesa está limpa. Meus pais jamais suspeitariam.
Enfim a marmita chega. Abro a porta. Pego o embrulho e o guaraná. Volto à cozinha. Caminho até a porta, para entregar o dinheiro sem troco ao moto-boy, assim facilito a vida dele. Antes de chegar à porta, sou levado ao chão como se uma marretada atravessasse o meu coração. Uma mão bem forte e pesada aperta meu corpo, igual ao abraço de uma jibóia. Por instante, uma onda cortante sai do meu estômago e sobe à cabeça e ao coração. Penso que vou explodir e que meus sonhos não passariam de sonhos. Que meus sonhos não passariam de noites dormidas sem um compromisso qualquer. Que minha cama seria apenas ocupada por mim e um enorme vazio nas noites frias.
...............................................................................................................
Oito horas da noite, de um domingo que acompanhou a temperatura do dia.
Entreabertos, os meus olhos ainda estão grudados por remelas e só vêem branco.
Ahhh... (pânico!). Tirem todo esse branco de perto de mim. Cadê as paredes coloridas do meu quarto? As paredes, os móveis, o chão, os lençóis... Tudo branco! Será que tudo isso é o céu? Será que encontro Deus aqui? Terei que esperar muito, igual aqueles consultórios, em que você espera um tempão para ser atendido pelo melhor médico da cidade? Será que morri? Como, se não me despedi de meus pais, de meus bichos e de todos que um dia fizeram algum significado em minha miserável sobrevida? Ou seria Deus um grande traficante, enfiado dos pés à cabeça dentro de um castelo de coca? Quem sabe não consigo uma vaga de sócio de Deus, hein? Minha avó e minha mãe, nessa hora, diriam que é pecado blasfemar. Que blasfêmia, que nada, afinal, negócios são negócios!
- Bom dia, senhor! Como está se sentindo agora? Um pouco melhor, garanto.
Essa voz não é estranha. Já ouvi essa sonoridade antes. Levanto minhas pálpebras, novamente e lentamente, já que tudo não é mesmo um sonho. A voz que eu ouvi era do médico que está cuidando de mim. Só a partir daí, consegui entender que se tratava de um hospital e que estava internado, sem risco nenhum de passar dessa para melhor ou me tornar sócio de Deus. Algumas pessoas, nessa hora, já estão comemorando o meu sono eterno. E eu aposto com você que sim.
Entra outra pessoa na sala, que não consigo identificar quem é. Passo, então, a ver dois corpos, escondidos, um pouco atrás da porta: um é o médico e depois de alguns movimentos, consegui ver que o outro é o moto-boy que havia levado minha marmita. Eles se abraçavam e se beijavam, como há muito não beijo e abraço uma mulher. Tudo feito muito bem timidamente, e ao ver aquela cena horrorosa, tive a vontade de gritar, pular do quarto onde estava. Neste instante, um mal-estar lançou-me de volta à vida.
- Senhor. Este é o Hector. Ele salvou a sua vida, hoje. Se não fosse ele chegar a tempo, o senhor estaria morto, de overdose, em casa e ninguém saberia.
Claro! Agora minhas memórias refrescavam meus pensamentos. Os dois são namorados; são homossexuais. Recordo-me brevemente deles, como poderia me esquecer?! Estavam em uma casa noturna um dia desses e os tratei de maneira totalmente desumana. Nem o pior de todos os seres rastejantes merecia as palavras duras, secas e amargas que lancei sobre eles. Igualo-me a um verme. Se antes, a vontade de pular e de gritar era grande e perturbadora, agora, diante de tais fatos, minha ignorância e estupidez me torturavam a alma, incomodavam profundamente minhas sensações e faziam transbordar de raiva minha consciência. O mal-estar se metamorfoseou em auto-repulsa.
De repente, um mar de lágrimas vertia de minha face. Um enjôo cortava minhas entranhas e apertava o meu peito contra o meu coração, esmagando, assim, minhas costelas, que os perfurava. Era essa a minha vontade neste instante. Que vida carreguei até agora, meu Deus?!
Depois do pequeno showzinho das minhas angústias, o que mais me comoveu, foi pensar e saber do fato deles terem nas mãos e na consciência o poder de decidir a vida de uma pessoa que os tratou muito mal e, em vez de se vingarem, salvaram uma vida. Uma vida ordinária, medíocre e ainda por cima, decadente. Uma vida vazia. Errante. Uma vida cheia de pecados, de crimes contra a humanidade e de vergonha.
O moto-boy poderia ter me deixado ali em casa e ir embora sem se preocupar comigo. Depois poderia rir, rir e se esbaldar em mais risos, até se realizar completamente. O médico poderia ter errado e dito depois que nada poderia ter feito por mim. Que eu havia exagerado na dose. Mas, não foram estes os rumos tomados...
Agora me dou ao luxo de acreditar nas pessoas. Em todas as pessoas, inclusive nos gays. Eles também amam, vivem, trabalham... fazem tudo o que uma pessoa “normal” faz. São tão gente como a gente. Tão humanos como qualquer outro humano que anda por ai, matando, roubando, praticando crimes cruéis contra todos sem graves razões.
Nesse dia, afirmo com todas as palavras que: FUI SALVO POR DOIS HOMOSSEXUAIS. E não tenho problemas nenhum em afirmar isto.
Por instante, as lágrimas cessaram o mal-estar, que deu lugar a soluços.
- O Natal deixa as pessoas bastante comovidas, não é mesmo?!
- Ahhh... como eu adoro o Natal! É época de presentes!
Com passos leves, caminho lentamente até a cozinha. Abro a geladeira e não encontro nada para beliscar. Meu estômago faz contato comigo. Diz o que quer comer, mas, infelizmente, não posso atendê-lo. Então, viro-me para a despensa e nada encontro também. Ainda com os passos lentos, porém, agora tortos, sigo para a sala, pego o telefone e peço uma marmita “Demora mais ou menos uns trinta minutos para chegar, senhor”. A voz do outro lado nada informa e me aborrece. Aceito os termos propostos e espero por meu almoço. “Urrrghhhh!”, calma, meu amigo estômago, já, já, o almoço chega.
Sento em meu sofá, pulo de canal em canal, sem achar nada que agrade meus olhos. Minutos depois, resolvo me deteriorar. Mas, espere um minuto: como pode, em uma televisão com mais de cem canais, não existir um que me agrade? Apenas ouvi o silêncio dos meus pensamentos, que me empurravam para um abismo desconhecido por tantos que já tentaram e aqui não estão mais, para contar nenhum detalhe...
Estou no meu quarto, pego os saquinhos mágicos que escondo em um lugar sagrado – literalmente sagrado: debaixo de Nossa Senhora de Aparecida, que ganhei quando era criança para me proteger de todo mal (e ela me protege, esconde o pó mágico que me distancia dessa sociedade medíocre e condenada) – para ninguém me repreender ou dar um prejuízo de alguns míseros reais (ganhados com muito suor!). Chego à cozinha e na mesa de jantar faço o meu banquete. Monto um tapete branco, lindo, que se mistura às demais cores dos guardanapos em cima da mesa. O pó mágico, enfileirado, diminui um a um da mesa, como se fosse a última vez que faria aquilo na vida. A mesa está limpa. Meus pais jamais suspeitariam.
Enfim a marmita chega. Abro a porta. Pego o embrulho e o guaraná. Volto à cozinha. Caminho até a porta, para entregar o dinheiro sem troco ao moto-boy, assim facilito a vida dele. Antes de chegar à porta, sou levado ao chão como se uma marretada atravessasse o meu coração. Uma mão bem forte e pesada aperta meu corpo, igual ao abraço de uma jibóia. Por instante, uma onda cortante sai do meu estômago e sobe à cabeça e ao coração. Penso que vou explodir e que meus sonhos não passariam de sonhos. Que meus sonhos não passariam de noites dormidas sem um compromisso qualquer. Que minha cama seria apenas ocupada por mim e um enorme vazio nas noites frias.
...............................................................................................................
Oito horas da noite, de um domingo que acompanhou a temperatura do dia.
Entreabertos, os meus olhos ainda estão grudados por remelas e só vêem branco.
Ahhh... (pânico!). Tirem todo esse branco de perto de mim. Cadê as paredes coloridas do meu quarto? As paredes, os móveis, o chão, os lençóis... Tudo branco! Será que tudo isso é o céu? Será que encontro Deus aqui? Terei que esperar muito, igual aqueles consultórios, em que você espera um tempão para ser atendido pelo melhor médico da cidade? Será que morri? Como, se não me despedi de meus pais, de meus bichos e de todos que um dia fizeram algum significado em minha miserável sobrevida? Ou seria Deus um grande traficante, enfiado dos pés à cabeça dentro de um castelo de coca? Quem sabe não consigo uma vaga de sócio de Deus, hein? Minha avó e minha mãe, nessa hora, diriam que é pecado blasfemar. Que blasfêmia, que nada, afinal, negócios são negócios!
- Bom dia, senhor! Como está se sentindo agora? Um pouco melhor, garanto.
Essa voz não é estranha. Já ouvi essa sonoridade antes. Levanto minhas pálpebras, novamente e lentamente, já que tudo não é mesmo um sonho. A voz que eu ouvi era do médico que está cuidando de mim. Só a partir daí, consegui entender que se tratava de um hospital e que estava internado, sem risco nenhum de passar dessa para melhor ou me tornar sócio de Deus. Algumas pessoas, nessa hora, já estão comemorando o meu sono eterno. E eu aposto com você que sim.
Entra outra pessoa na sala, que não consigo identificar quem é. Passo, então, a ver dois corpos, escondidos, um pouco atrás da porta: um é o médico e depois de alguns movimentos, consegui ver que o outro é o moto-boy que havia levado minha marmita. Eles se abraçavam e se beijavam, como há muito não beijo e abraço uma mulher. Tudo feito muito bem timidamente, e ao ver aquela cena horrorosa, tive a vontade de gritar, pular do quarto onde estava. Neste instante, um mal-estar lançou-me de volta à vida.
- Senhor. Este é o Hector. Ele salvou a sua vida, hoje. Se não fosse ele chegar a tempo, o senhor estaria morto, de overdose, em casa e ninguém saberia.
Claro! Agora minhas memórias refrescavam meus pensamentos. Os dois são namorados; são homossexuais. Recordo-me brevemente deles, como poderia me esquecer?! Estavam em uma casa noturna um dia desses e os tratei de maneira totalmente desumana. Nem o pior de todos os seres rastejantes merecia as palavras duras, secas e amargas que lancei sobre eles. Igualo-me a um verme. Se antes, a vontade de pular e de gritar era grande e perturbadora, agora, diante de tais fatos, minha ignorância e estupidez me torturavam a alma, incomodavam profundamente minhas sensações e faziam transbordar de raiva minha consciência. O mal-estar se metamorfoseou em auto-repulsa.
De repente, um mar de lágrimas vertia de minha face. Um enjôo cortava minhas entranhas e apertava o meu peito contra o meu coração, esmagando, assim, minhas costelas, que os perfurava. Era essa a minha vontade neste instante. Que vida carreguei até agora, meu Deus?!
Depois do pequeno showzinho das minhas angústias, o que mais me comoveu, foi pensar e saber do fato deles terem nas mãos e na consciência o poder de decidir a vida de uma pessoa que os tratou muito mal e, em vez de se vingarem, salvaram uma vida. Uma vida ordinária, medíocre e ainda por cima, decadente. Uma vida vazia. Errante. Uma vida cheia de pecados, de crimes contra a humanidade e de vergonha.
O moto-boy poderia ter me deixado ali em casa e ir embora sem se preocupar comigo. Depois poderia rir, rir e se esbaldar em mais risos, até se realizar completamente. O médico poderia ter errado e dito depois que nada poderia ter feito por mim. Que eu havia exagerado na dose. Mas, não foram estes os rumos tomados...
Agora me dou ao luxo de acreditar nas pessoas. Em todas as pessoas, inclusive nos gays. Eles também amam, vivem, trabalham... fazem tudo o que uma pessoa “normal” faz. São tão gente como a gente. Tão humanos como qualquer outro humano que anda por ai, matando, roubando, praticando crimes cruéis contra todos sem graves razões.
Nesse dia, afirmo com todas as palavras que: FUI SALVO POR DOIS HOMOSSEXUAIS. E não tenho problemas nenhum em afirmar isto.
Por instante, as lágrimas cessaram o mal-estar, que deu lugar a soluços.
- O Natal deixa as pessoas bastante comovidas, não é mesmo?!
- Ahhh... como eu adoro o Natal! É época de presentes!
sábado, 17 de novembro de 2007
FALSA PÁTRIA
Olá, meu brasil!
Eu tenho braços e dedos,
e não sou poeta, porque não desejo.
Pra que poetar, se posso criticar?
É tão prazeroso quanto o sexo.
Olá, meu brasil!
Além de membros, tenho um corpo,
que não deito! Não mergulho os pensamentos
em um desgastado travesseiro.
Pra que descansar se não faço por merecer?
Olá, meu brasil!
Também tenho peito, mas por dentro,
nenhuma pátria bate com esplendor efeito.
Não mereço a pátria que tenho,
que do berço me tirou e me adotou,
fornecendo-me uma certidão de nascimento adulterada.
Ainda assim, meu brasil!
Não escrevo, porque não desejo!
Não preciso de alguns textos,
pra saber o quanto sábio sou.
Eu tenho braços e dedos,
e não sou poeta, porque não desejo.
Pra que poetar, se posso criticar?
É tão prazeroso quanto o sexo.
Olá, meu brasil!
Além de membros, tenho um corpo,
que não deito! Não mergulho os pensamentos
em um desgastado travesseiro.
Pra que descansar se não faço por merecer?
Olá, meu brasil!
Também tenho peito, mas por dentro,
nenhuma pátria bate com esplendor efeito.
Não mereço a pátria que tenho,
que do berço me tirou e me adotou,
fornecendo-me uma certidão de nascimento adulterada.
Ainda assim, meu brasil!
Não escrevo, porque não desejo!
Não preciso de alguns textos,
pra saber o quanto sábio sou.
quinta-feira, 25 de outubro de 2007
DEUS NA POESIA E MORTE NA VIDA?!
Será certo, Deus na poesia?!
Nem pensar, minha querida!
Quando quero um verso,
ao grande do universo,
eu, claro, não o peço.
Quando o vácuo fala,
as minhas palavras,
são abençoadas.
Nem queira ousar,
Deus na poesia,
minha querida!
E ainda tem mais: quero
somente que a morte
leve os meus versos
até a minha cova,
funda, sem rosas.
Ninguém chora!
A Poesia
e Deus?!
Não ouse
querida!
Nem pensar, minha querida!
Quando quero um verso,
ao grande do universo,
eu, claro, não o peço.
Quando o vácuo fala,
as minhas palavras,
são abençoadas.
Nem queira ousar,
Deus na poesia,
minha querida!
E ainda tem mais: quero
somente que a morte
leve os meus versos
até a minha cova,
funda, sem rosas.
Ninguém chora!
A Poesia
e Deus?!
Não ouse
querida!
quarta-feira, 24 de outubro de 2007
Parasitas
Os usuários de drogas são vampiros. E ainda dizem: "Coitados!" Que coitados, porra nenhuma! Coitados por quê? Por acaso alguém tem pena de vampiros? Quando eu vejo um, enfio a estaca mesmo e faço o sinal da cruz.
Já os traficantes são os parasitas, que sobrevivem grudados no corpo dos vampiros. Vivemos culpando as autoridades e os traficantes, por levarem cada vez mais, crianças e adolescentes para o mundo das drogas, mas na verdade, quem são os culpados são os vampiros. Esses sim, a cada mordida que dão, levam mais e mais pessoas para um mundo novo, repleto de podridão, escuridão e miséria!
Por esse motivo, concordo com a visão que o filme, "Tropa de Elite" mostra. Os financiadores de toda essa merda de violência, com toda a certeza, são as pessoas que usam dos "serviços" dos traficantes.
Vamos nos mobilizar gente e acabar com esses traficantes. Podemos isso!!!
Basta apenas acordarmos e enxergarmos que estamos perdendo nossos filhos!!!
Já os traficantes são os parasitas, que sobrevivem grudados no corpo dos vampiros. Vivemos culpando as autoridades e os traficantes, por levarem cada vez mais, crianças e adolescentes para o mundo das drogas, mas na verdade, quem são os culpados são os vampiros. Esses sim, a cada mordida que dão, levam mais e mais pessoas para um mundo novo, repleto de podridão, escuridão e miséria!
Por esse motivo, concordo com a visão que o filme, "Tropa de Elite" mostra. Os financiadores de toda essa merda de violência, com toda a certeza, são as pessoas que usam dos "serviços" dos traficantes.
Vamos nos mobilizar gente e acabar com esses traficantes. Podemos isso!!!
Basta apenas acordarmos e enxergarmos que estamos perdendo nossos filhos!!!
sábado, 20 de outubro de 2007
A abelinha e o cão
Uma abelinha veio pousar no nariz de um cão. Com as asas batendo sem parar (se preparando para alguma emergência), o olhar penetrado nas pupilas do cão e as perninhas todas alinhadas, ela ficou parada, esperando alguma reação daquele mamífero.
De repente, os olhares cruzaram-se e suspiros voavam no ar, claro, de ambos os lados. Os suspiros maiores eram do cão e os pequeninos, eram da abelinha, tão delicada.
Os dois ficaram ali, apaixonados, contemplando seus sentimentos, quando de repente, o cão espirrou. A abelinha bateu as asas e foi embora, para longe e nunca mais voltou.
O cão, resolveu fazer algo para a abelinha voltar. A abelinha voltou, mas morreu, quando no chão, o cão a olhava com o corpinho pela metade. Ali, novamente, os olhares se cruzaram e a abelinha lembrou do momento incrível que teve com o cão.
Sem dar a mínima para a abelinha, o cão a pisoteou e saiu, procurando a abelinha por quem se apaixonou.
De repente, os olhares cruzaram-se e suspiros voavam no ar, claro, de ambos os lados. Os suspiros maiores eram do cão e os pequeninos, eram da abelinha, tão delicada.
Os dois ficaram ali, apaixonados, contemplando seus sentimentos, quando de repente, o cão espirrou. A abelinha bateu as asas e foi embora, para longe e nunca mais voltou.
O cão, resolveu fazer algo para a abelinha voltar. A abelinha voltou, mas morreu, quando no chão, o cão a olhava com o corpinho pela metade. Ali, novamente, os olhares se cruzaram e a abelinha lembrou do momento incrível que teve com o cão.
Sem dar a mínima para a abelinha, o cão a pisoteou e saiu, procurando a abelinha por quem se apaixonou.
sexta-feira, 19 de outubro de 2007
Insônia
Tento dormir todas as noites. E isso, faz exatamente uma semana. Talvez o motivo, seja justamente o horário que tenho acordado todos os dias. Tenho dormido demais. É uma vergonha para o brasileiro, e claro, para mim.
Tenho que mudar, ou melhor, reestruturar os meus hábitos. Não posso mais dormir depois das 04:00h da manhã e acordar após as 12:30h.
Isso é horrível!
Penso na seguinte dúvida, que atormenta a minha cabeça todas as noites: como pode um homem de 24 anos, que durante "quase" toda a vida acordou cedo, de repente, se ver acordando todos os dias após o almoço?
Essa é uma pergunta, que ainda, não encontrei a resposta.
Deixando de lado essa questão, alguns fantasmas me atormentam diariamente, evitando o meu sono sossegado.
Há também, um fato que me assusta, às vezes, é óbvio! Há tempos, muito tempo, não consigo escrever uma poesia boa. Qual será o motivo?
A paixão? Não! Com toda a certeza: não!
Eu sei o que é. Estou cheio de idéias para escrever histórias, prosas, contos etc, mas, não consigo escrever, porque não sou bom com as linhas escritas linearmente, ou seja, continuadas. Melhor explicando, tenho dificuldade com tudo aquilo que não está escrito em forma de versos. Meus olhos vêem versos, sonham versos, escrevem versos. Como poderia eu, um simples mortal com alguns versos na veia, escrever um texto em prosa de boa qualidade? A resposta é simples: não sei.
E olhe que já tentei inúmeras vezes começar, continuar e terminar um texto.
Mas a tentativa é inútil.
Como diria Drummond: "o segredo para se tornar um escritor? Escrever, escrever e escrever!"
Tenho que mudar, ou melhor, reestruturar os meus hábitos. Não posso mais dormir depois das 04:00h da manhã e acordar após as 12:30h.
Isso é horrível!
Penso na seguinte dúvida, que atormenta a minha cabeça todas as noites: como pode um homem de 24 anos, que durante "quase" toda a vida acordou cedo, de repente, se ver acordando todos os dias após o almoço?
Essa é uma pergunta, que ainda, não encontrei a resposta.
Deixando de lado essa questão, alguns fantasmas me atormentam diariamente, evitando o meu sono sossegado.
Há também, um fato que me assusta, às vezes, é óbvio! Há tempos, muito tempo, não consigo escrever uma poesia boa. Qual será o motivo?
A paixão? Não! Com toda a certeza: não!
Eu sei o que é. Estou cheio de idéias para escrever histórias, prosas, contos etc, mas, não consigo escrever, porque não sou bom com as linhas escritas linearmente, ou seja, continuadas. Melhor explicando, tenho dificuldade com tudo aquilo que não está escrito em forma de versos. Meus olhos vêem versos, sonham versos, escrevem versos. Como poderia eu, um simples mortal com alguns versos na veia, escrever um texto em prosa de boa qualidade? A resposta é simples: não sei.
E olhe que já tentei inúmeras vezes começar, continuar e terminar um texto.
Mas a tentativa é inútil.
Como diria Drummond: "o segredo para se tornar um escritor? Escrever, escrever e escrever!"
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